Sistema

 Não é de agora, mas está a tornar-se cada vez mais um clássico. O sistema é o culpado de tudo o que nos acontece. O sistema são os outros que não nós, as forças políticas que não a nossa, os emblemas desportivos que não o nosso, as empresas concorrentes que não a nossa, as instituições e organizações que não a nossa, os territórios e agremiações que não os nossos. 

 

O sistema é algo viscoso, adaptável, volúvel, que se esgueira sempre para algum sítio além de nós e daquilo a que pertencemos ou acreditamos. Todos os que não se afirmam contra o sistema são imediatamente catalogados como fazendo parte dele. Quem é do sistema tem imediatamente um anátema e quem não é uma desculpa, seja qual for a culpa que o ser contra o sistema pretende branquear.  

 

Mas o que é um sistema? Os dicionários são pródigos em definições. Um sistema é “uma combinação de partes reunidas para concorrerem para um resultado, ou de modo a formarem um conjunto”. Esta definição não favorece muito os anti-sistema, porque na prática são apenas outro sistema, com outras combinações, concorrendo para outros resultados e formando outros conjuntos. 

 

Um sistema é “um conjunto de princípio verdadeiros ou falsos reunidos de modo que formem um corpo de doutrina”. Esta definição poderia parecer prometedora, se não considerasse que o sistema tanto se pode basear em princípios verdadeiros como em princípios falsos. Cabe lá tudo e a doutrina é o resultado daquilo que a formata. A culpa pode ser do sistema, mas se o sistema se basear em princípios verdadeiros então temos que ir mais longe e discutir o que é a verdade e para que é que ela serve.

 

Uma terceira definição para concluir, que as há muitas, mas esta crónica tem limites impostos pelo sistema de normas que o escriba segue sistematicamente. Sistema é “um conjunto de meios e processos para alcançar determinado fim”. Maquiavel terá dito que os fins justificam os meios, ou seja, na sua visão o que interessava era o mérito do que se queria atingir com o sistema. E claro que o mérito de um fim é sempre subjetivo. 

 

Todos nós fazemos parte do sistema. De sistemas bons e de sistemas maus e de outros que têm dias. O anti-sistema é outro sistema e vice-versa. Quanto melhores formos, quanto mais éticos forem os processos que usamos, quanto mais elevados forem os nossos objetivos, melhor será o sistema que integramos. Se ainda assim quisermos ser contra o sistema, ao menos que sejamos contra alguma coisa que valha a pena. 

  

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