Guerra e Paz

Embora tenha cumprido o serviço militar obrigatório e vivido parte da minha juventude em África acompanhando a família, deslocada devido à guerra colonial e ao facto do meu pai ser militar de carreira, nunca fui à guerra. O combate que estamos a travarcontra a pandemia foi a primeira guerra em que me alisteiEsta é uma guerra em que mesmo quem não queira combater terá à mesma que ir à luta, se não for por si, pelos outrose se não for a bem, por imposição legal.

A guerra contra o coronavírus é uma guerra diferente,mas onde, como nas guerras tradicionais, é precisocoragem, determinação, sentido de equipa e presença de espírito. O inimigo é o mais insidioso e camuflado que a humanidade teve que combater neste século. As armas são insuficientes e estão a ser desenvolvidas em pleno conflito. Mas vamos vencer.

Num cenário que evolui todos os dias, as artes da guerra que fomos aprendendo com os grandes mestres continuam a ser úteis, mas a sua aplicação exige adaptações e tem novas condicionantes. Para os maiores estrategas da guerra, a melhor batalha é aquela que não temos que travar. Sun Tzu ensinou-nosque “a suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”. Infelizmente este ensinamento do grande general e filósofo chinês do seculo VI AC já não é opção no combate em que estamos. Teremos mesmo que lutar, mas com inteligência e estratégia.

Para vencer as batalhas que não se podem evitar, Sun Tzu postulou que “se conhecermos o inimigo e nos conhecermos a nós mesmos não precisamos temer o resultado”. O mestre ensinou ainda que “se nos conhecermos a nós mesmos, mas não o inimigo por cada vitória conseguida sofreremos também uma derrota”. Finalmente, disse que “se não nos conhecermos a nós mesmos nem ao inimigo perderemos todas as batalhas.

A verdade é que embora os mais preparados de entre nós estejam a trabalhar dia e noite, por todo o mundo,à procura de conhecer o inimigo, ainda não lhe conseguiram fazer a folha. Por isso temos vindo a acumular vitórias e derrotas. Quanto mais e melhor nos conhecermos a nós próprios e agirmos a favor da nossa proteção e da proteção da comunidade, mais serão as vitórias e menos a derrotas.

Num tempo de guerra, com um inimigo ainda difuso, é essencial conseguirmos enquanto sociedade e enquanto indivíduos manter a paz, seguindo as normas, protegendo os mais vulneráveis, confiando nas autoridades, sendo solidários com quem mais precisa, aprendendo a sobreviver e a preparar a alvorada de luz que chegará depois das nuvens negras que nos assolam.      

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