Dinheiro Fresco (Os migrantes e o futuro do projeto europeu)




 

As crises na União Europeia sempre se foram resolvendo através de ciclos de paciência e momentos de forte impulso. Para a crise atual acabou-se o tempo da paciência. É urgente um novo ciclo de políticas.

 

A cartilha oficial da austeridade e da estabilidade macroeconómica está a conduzir a União a uma profunda instabilidade política, a uma continuada anemia económica e a um disseminado sentido de impotência perante os desafios provocados pelo afluxo de migrantes e refugiados.

 

É precisa ação. Reforçar com pessoas e equipamentos a fronteira externa da União para organizar o acolhimento, agir contra as mafias e criar condições nos Países de origem para evitar o desespero e a fuga das suas populações. Em complemento é preciso puxar pela economia europeia para que quem chega possa ser integrado e constituir um fator de dinamização das comunidades em que se insere.

 

Para fazer tudo isto é preciso dinheiro. Aqui está a chave da questão. O “clube do pensamento único” quer tomou conta da Europa só encontra dinheiro para tapar os buracos financeiros, nunca o descortinando para ajudar a resolver os problemas das pessoas e das empresas, a minorar o desemprego ou para dar uma nova vitalidade à economia europeia.

 

 Chegou o momento em que é preciso pôr dinheiro fresco na solução sob pena do projeto europeu ter um grave problema de subsistência.

 

 A Alemanha tem razão ao pedir a solidariedade dos outros Países da União no acolhimento de migrantes e refugiados. A Grécia e a Itália não podem continuar a aguentar sozinhas a brutal pressão das levas de refugiados que têm acolhido. Todos os países têm que colaborar e a disponibilidade de Portugal para duplicar a sua quota de acolhimento para 10 000 refugiados é um bom exemplo.

 

Muitos dos Países têm, no entanto, um problema a resolver. A prazo os migrantes poderão ser um fator de crescimento e desenvolvimento económico, mas no curto prazo o seu acolhimento implica a afetação de recursos que não existem ou não podem ser mobilizados devido às regras orçamentais da União.

 

É preciso por isso ousar, lançando um empréstimo obrigacionista com garantia europeia (Eurobonds) para financiar o reforço da fronteira externa da união e o acolhimento e integração dos refugiados e dos migrantes.

 

Este movimento não apenas ajudará a desbloquear a procura interna como estabelecerá um princípio de justiça em relação aos Países mais abertos e solidários, e poderá fazer dos refugiados e dos migrantes, os mobilizadores de uma solução para a Europa e não como muitos temem e alguns desejam, os seus coveiros.  

 

 

 

 
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