Energia Inteligente

Alguns dos leitores habituais desta crónica têm-me feito notar a minha tendência recente para aqui escrever sobre temas de energia e alterações climáticas com muito maior alguma regularidade do que o costumava fazer no passado. A esta evidência não são alheias duas circunstâncias. Em primeiro lugar, a crise global e a necessidade de encontrar novas respostas baseadas numa visão de economia sustentável, colocaram estes temas na primeira linha do debate e do pensamento político e económico. Em segundo lugar, as minhas recentes responsabilidades directas nestas matérias permitem-se sentir com mais intensidade o pulsar da mudança e estimula a minha vontade de a partilhar convosco.

A consciência do carácter finito dos recursos fosseis e do impacto na qualidade de vida da humanidade que resulta do seu uso abusivo, conduziu a uma procura intensa de alternativas, com particular incidência no aproveitamento dos recursos naturais e renováveis como o sol, a água, o vento e a biomassa como fontes de energia.

Muito se evoluiu já nestes domínios embora ainda sem a sofisticação tecnológica que permita atingir o objectivo crítico de produzir energias renováveis a um preço bruto competitivo com as energias de origem fóssil (hoje essa competitividade já está assegurada se somarmos aos custos dos combustíveis fosseis os custos associados às emissões de C02, mas esses cálculos sendo fundamentais para o futuro do planeta ainda são dificilmente perceptíveis pelos consumidores finais de energia, no momento do pagamento das suas facturas energéticas). Esse momento contudo não tardará, quer porque a curva de experiência fará baixar os preços das novas energias, quer porque as energias tradicionais se vão tornar mais raras e caras.

Portugal tem vindo a fazer no domínio das energias renováveis um trabalho excepcional e reconhecido mundialmente. Entre 14 e 19 de Janeiro pude testemunhar, primeiro no Conselho Informal de Energia de Sevilha e depois na reunião anual da Agência Internacional das Energias Renováveis em Abu Dabbi, como os resultados que atingimos são conhecidos e apreciados.

O mundo precisa duma abordagem dos temas da energia que seja ao mesmo tempo sustentável e inteligente. Sustentável na produção e distribuição e inteligente na utilização. A energia inteligente será o grande motor económico das próximas décadas, e a base central das velhas e novas indústrias.

Tempos houve em que foi preciso desenvolver conceitos e sistemas para os transportes com motores de explosão, paras as cidades e o seu planeamento, arquitectura e construção, para os grandes sistemas como a banca, os seguros, a saúde ou o turismo. Hoje há todo um caminho novo e um enorme mercado para desenvolver e aplicar soluções que tornem mais eficiente e sustentável a forma como vivemos e usufruímos do nosso planeta.

Os carros eléctricos como sistemas inteligentes de armazenamento e uso de energia, os edifícios eficientes energeticamente, as redes inteligentes e as novas tecnologias de iluminação são apenas exemplos ilustrativos de novas realidades, que tornam viáveis os sistemas descentralizados e renováveis de energia e ao mesmo tempo criarão milhões de empregos na investigação, na concepção e na realização. A energia inteligente está aí para mudar a nossa vida! Évora está na primeira linha das cidades inteligentes (Smart Cities). Outras cidades alentejanas estão envolvidas neste movimento. O futuro desafia-nos para grandes aventuras.
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