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Festival

 No contexto do lançamento da semana de África promovida a partir do Parlamento Europeu pelo grupo dos Socialistas e Democratas um jornalista africano colocou-me uma questão interessante sobre a relação entre democracia, pluralidade e previsibilidade estratégica. 

Perguntava ele se para um continente como África não seria mais fácil e vantajoso privilegiar relações com potências estáveis e previsíveis (sem nomear, penso que estariaa pensar no arquétipo desse modelo que é sem dúvida a China) do que com parceiros como a União Europeia (UE) que engloba 27 países, muitas vezes com opiniões diferentes e sobretudo com posições que se podem alterar e que podem modificar o puzzle e os equilíbrios de cada vez num desses países há eleições com mudanças de Governos e de políticas.

 

Usei na resposta o meu mantra habitual e do qual estou profundamente convicto, explicando que há uma vantagem nas parcerias com valores éticos e políticos robustos em relação às que se baseiam em protetorados financeiros, militares ou comerciais. Além do mais a UE é uma potência multilateral e funda as suas relações nos princípios do multilateralismo. 

 

A partir desta ideia, ocorreu-me também argumentar que sendo a democracia um valor absoluto em si mesmo, a melhor maneira de alicerçar as relações é fundá-las no respeito mútuo entre os povos, ou seja numa parceria que além de multilateral no plano político, económico, social e ambiental, seja também multicultural.

 

Não sei se convenci o meu interlocutor, mas quis o acaso que voltando ao Gabinete me tenha deparado com um convite de um conjunto de Eurodeputados representando os principais grupos políticos para subscrever uma carta à Comissária responsável pela Inovação, Ciência, Cultura, Educação e Juventude (Mariya Gabriel) apelando à criação de um Festival Pan-Europeu de Culturas e Ideias, para reconetar os Europeus entre si e com a parceria a que pertencem, através de um sentimento de partilha de valores e experiências comuns. Assinei a carta e espero que dê frutos.

 

Num momento em que a primeira fase da Conferência sobre o Futuro da Europa se aproxima do final da sua primeira etapa, um grande Festival descentralizado, interligado pelas conexões hoje disponíveis e juntando Europeus de todas as proveniências e territórios é uma iniciativa de grande potencial, que quem sabe um dia se pode alargar no cerzir de pontes mais fortes entre continentes. Como a Africa e a Europa, que foi por onde esta reflexão começou a fazer o seu caminho.

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