O Canto do Cisne

Num momento de grande turbulência no mundo e alguma indefinição na União Europeia, o Parlamento Europeu, a Comissão Europeia e o Conselho Europeu preparam-se para lançar em 9 de maio do corrente ano e até 2022, uma Conferência sobre o Futuro da Europa, dando sequência a uma proposta inicial do Presidente Francês Emmanuel Macron e aos “diálogos com os cidadãos” que ocorreram nos últimos meses, um pouco por toda a União.

A nova iniciativa ainda está a ser desenhada com um envolvimento forte do Parlamento Europeu, mas para estar à altura dos tempos e das exigências das pessoas, tem que ser muito mais ambiciosa e efetiva do que as iniciativas que a precederam, designadamente que o debate suscitado pela Comissão Juncker, através do lançamento por ocasião dos 60 anos do Tratado de Roma do livro branco sobre o futuro da Europa.  

Propõe-se agora uma metodologia diferente. Partir dos cidadãos para a tomada de decisão. O modelo prevê a criação de ágoras de cidadania, abertas, temáticas e múltiplas, prevendo pelo menos dois espaços de debate dedicados a jovens até aos 25 anos e um plenário institucional que envolve deputados nacionais e europeus, representantes do Conselho, da Comissão, do Comité das Regiões, do Comité Económico e Social e dos parceiros sociais.

Debater de forma aberta e participada o papel da Europa no mundo e o seu futuro, é uma iniciativa oportuna e necessária, se não funcionar como uma cortina de fumo para encobrir a falta de vontade ou de capacidade para agir de forma concreta no plano do combate às desigualdades, da resposta às alterações climáticas ou da transição digital ao serviço dos cidadãos e da sua qualidade de vida.

A Conferência sobre o Futuro da Europa será tanto mais eficaz na sua missão de recuperar o orgulho e sentimento de pertença dos europeus a um futuro comum e partilhado, quanto mais depressa for aprovado um plano de financiamento plurianual2021/2027 ambicioso, for garantida a promoção da coesão e da convergência dos territórios for aplicado com denodo o pacto ecológico europeu. 

O compromisso dos cidadãos através da participação ativa é apenas um dos termos da equação. O outro tem que ser a capacidade institucional e política de avançar no projeto europeu.

Vamos debater a Europa para fazer acontecer e para monitorizar e influenciar as decisões. Só assim a Conferência sobre o Futuro da Europa não será o canto do cisne, que os seus inimigos anseiam por ouvir.
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