Passos e o Paço (Sobre o Paço dos Henriques requalificado)




Pedro Passos Coelho escolheu liderar a oposição através de um discurso de “advogado do diabo”, anunciando as maiores catástrofes para o País, de que só estaríamos a salvo, segundo ele, se a sua política de empobrecimento regenerador fosse restaurada. O seu papel de advogado do mafarrico é tão assumido, que anunciou mesmo a chegada do seu “cliente” a Portugal no início de Setembro!  

Não vou dizer que estava um “calor dos diabos”, mas a verdade é que foi debaixo de um tórrido calor alentejano que a Vila das Alcáçovas saiu à rua no passado dia 4 de Setembro para festejar a inauguração do seu Paço dos Henriques requalificado.

O Paço dos Henriques, situado naquela bela vila alentejana do Distrito de Évora e do Concelho de Viana do Alentejo é um lugar com enorme simbolismo na história de Portugal e do mundo. Paço real desde o século XIV, nele veio a ocorrer um conjunto de episódios que marcaram a era das descobertas na história de Portugal.

Em 4 de Setembro de 1479, ou seja, 537 anos antes da cerimónia qua assinalou a sua recente requalificação, no paço dos Henriques foi assinado o Tratado das Alcáçovas, por muito considerado o primeiro passo da primeira globalização. Nele foi também redigido em 1495 o testamento de D. João II, o rei estratega da expansão marítima.

A importância política do Tratado das Alcáçovas foi enorme por ter colocado fim a uma disputa de sucessão no Reino de Castela e ter reconhecido diferentes zonas de influência entre Portugal e Castela para o prosseguimento da expansão dos dois reinos fora do espaço europeu. Por este motivo se associa o Tratado e o Paço onde ele foi assinado, à paz e à globalização.

A obra agora concluída resulta de uma parceria de vontades que englobou múltiplas entidades. Destaco obviamente a vontade do povo das Alcáçovas e da sua Autarquia, em particular do seu Presidente Bengalinha Pinto e da Presidente da Junta de Freguesia Sara Pajote que souberam congregar esforços e motivar os decisores regionais, nacionais e europeus, mobilizando os recursos financeiros e as competências técnicas que tornaram possível concretizar o sonho.

Importante agora é aproveitar todo o potencial do novo equipamento e de toda a sua envolvente material e imaterial, inclui-lo nas rotas turísticas regionais, criar representações a partir da história associada ao espaço permitindo atrair muitos visitantes nacionais e estrangeiros e usar a infraestrutura para reuniões, congressos e tudo o mais para que ela é apropriada.

Ao contrário do empobrecimento preconizado por Passos e pela sua escola política, o Alentejo ficou mais rico no início de Setembro. Mais rico de alma e património e mais rico de potencial para um desenvolvimento harmonioso e sustentável.

 

 

 

 
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