Sinais de Convergência

Depois dos resultados muito interessantes na redução da taxa de desemprego, de que dei nota em texto anterior, soube-se agora que a economia portuguesa cresceu no segundo trimestre deste ano ligeiramente acima da média europeia. O crescimento de 2,3% é aliás consonante com as previsões do Governo. 
A coincidência entre as previsões do Governo e as metas alcançadas, num cenário global que se degradou, tem permitido que Portugal se continue a financiar nos mercados internacionais a taxas negativas. A confiança na economia portuguesa persiste nos empresários e nas famílias, mas também nos mercados.
O contexto não é fácil e os riscos podem surgir de onde menos se espera, sobretudo quando alastra a onda duma guerra comercial liderada pela administração americana e se começam a fazer sentir os resultados das múltiplas estratégias de ataque e retaliação. 
É por isto muito importante sublinhar o facto de que,tanto quanto é possível a uma pequena economia exposta e aberta, Portugal denota uma solidez que poderá ser fulcral para enfrentar eventuais vendavais externos. Uma solidez que tem também sido assegurada por uma gestão rigorosa das contas públicas, sempre discutível nas opções concretas, mas extremamente necessária enquanto atitude global.
A economia europeia também vai resistindo melhor do que seria expectável e dá alguns sinais de convergência. São as economias mais pequenas que crescem mais, mas ao mesmo tempo esse crescimento tem ajudado a fazer arrancar da estagnação as maiores economias.
Num tempo de fechamento potencial de grandes mercados, a capacidade da União Europeia se constituir num espaço económico mais convergente e em que todos ganham deve ser realçada e tida em conta na grande negociação que se aproxima referente ao Quadro Financeiro Plurianual Pós 2020.
Para Portugal e para a União Europeia este quadro constitui uma enorme oportunidade de convergir aumentando o potencial das 27 economias, subindo nas cadeias de valor globais, disputando a fronteira tecnológica nos setores emergentes e afirmando a viabilidade da sua matriz humanista e sustentável.
É muito positivo poder descrutinar entre as nuvens carregadas, sinais de convergência na economia europeia e na economia portuguesa. É preciso ler os sinais e transformá-los numa dinâmica irreversívelantes que a janela de oportunidade se feche por qualquer crise ou fenómeno inesperado, num tempo em que o risco de isso suceder é muito elevado.  
  

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