Contas de Somar

A economia portuguesa continua a apresentar indicadores positivos em áreas tãoimportantes como o crescimento, o emprego e a confiança dos empresários e dos consumidores. 

Como contra factos é difícil esgrimir argumentos com sucesso, as forças políticas que se posicionam à direita e à esquerda do partido do governo têm sido confrontadas com a legítima necessidade de desenvolver narrativas que contestam os processos e não os resultados, como forma de suportar o seu discurso político.

Para os partidos à esquerda no hemiciclo parlamentar, designadamente para o Partido Comunista Português, o Bloco de Esquerda e o Partido Ecologista “Os Verdes”, que como garantes da maioria parlamentar de Governo são também credores dos resultados obtidos, os sinais favoráveis na nossa economia e na nossa sociedade revelam-se favoráveis, apesar da União Europeia e das suas políticas restritivas no plano orçamental. Implícito ao seu discurso está o princípio de que sem essas restrições europeias Portugal poderia fazer ainda mais e melhor.  

Já para os partidos à direita, designadamente o Partido Social-Democrata (PSD/PPD) e o Partido Popular (CDS/PP) que apostaram no passado em ir para além das normas de rigor contratualizadas em Bruxelas, o País avança por causa dessas normas e apesar das tentações sociais e desenvolvimentistas do partido do governo e das forças que lhe garantem a maioria parlamentar. Para estes partidos,os resultados favoráveis obtidos pela governação poderiam ser ainda melhores se Portugal seguisse a cartilha da austeridade e do corte de direitos e garantias que as forças neoliberais em maioria nas instituições europeias não se cansam de recomendar. 

O povo português, que tem demonstrado ao longo de décadas de vivência democrática uma enorme sabedoria, há muito que compreendeu que as narrativas das forças à esquerda e à direita do PS se anulam mutuamente.

primeira síntese desta dicotomia é o reconhecimento geral de que Portugal e os portugueses vivem hoje em condições mais favoráveis do que no ciclo político anterior. Quanto às razões, o “apesar da Europa” glosado à esquerda  choca frontalmente com o “apesar do PS” glosado à direita. Esse choque deve-se a uma troca de sinal. Europa e PS não diminuem nada no combate por melhores de condições de vida em Portugal e para os portugueses. 

Não são uma conta de diminuir. Pelo contrário, são uma conta de somar. A pertença um espaço de paz, liberdade de expressão e cooperação associada a uma visão ambiciosa, credível e progressista de governação e participação ativa nos destinos desse espaço, têm sido o segredo dos bons resultados relativos conseguidos pelo país nos últimos três anos.  
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