O Capital, as Pessoas e o Planeta




 

Em representação do meu grupo político no Parlamento Europeu (Grupo dos Socialistas e Democratas) de que sou coordenador para a América Latina, participei a convite do Foro de S.Paulo (FSP) na 21ª edicão daquela plataforma, realizada na cidade do México. Criado em 1990 em S.Paulo com um forte impulso do Partido dos Trabalhadores e do então seu líder Lula da Silva, o FSP junta hoje centenas de organizações políticas e 13 países são governados por Partidos ou Movimentos que nele se integram.   

 

Participar ativamente numa organização desta natureza é um desafio muito interessante. A América Latina desenvolveu uma cultura política muito própria e não é fácil estabelecer correlações diretas entre os partidos e movimentos políticos latino –americanos e os seus congéneres europeus. Globalmente o FSP é mais radical do que a média dos socialistas e democratas europeus. Verifiquei no entanto nas múltiplas conversas bilaterais, formais ou informais, que a diferença reside mais no modelo de resposta do que no diagnóstico dos problemas que assolam o mundo.

 

 Há uma grande convergência na recusa do atual modelo de globalização desregulada, extrativa, baseada exclusivamente na maximização da remuneração dos capitais e sem preocupações sérias no combate às desigualdades e na preservação do ambiente, fazendo das pessoas e do planeta instrumentos para o ganho económico, em vez de fazer da economia um instrumento para o bem-estar das pessoas e para a sustentabilidade da Terra em que vivemos.

 

Um interveniente colombiano, ao apresenta uma interessante experiência de gestão sustentável na cidade de Bogotá, afirmou que a luta do capital contra o trabalho foi substituída por uma luta do capital contra o planeta. Esta análise é muito interessante num contexto do racional neo – liberal, que incita a ganhar o mais possível no mais curto prazo de tempo, mesmo que isso implique destruir recursos não renováveis.

 

A diferença está no modelo de resposta. Enquanto nos diversos movimento e partidos do FSP (na maioria e não em todos) se acredita que o fim da globalização é a solução, para mim e para o grupo político que represento, o caminho é a mudança das regras da globalização, a inclusão de fortes normas sociais e ambientais e a colocação das pessoas no centro dos projetos políticos e económicos.

 

Se há algo que deve hoje unir a esquerda progressista e democrática de todo o mundo é o objetivo de mudar as regras da globalização. Construir e aplicar uma narrativa de globalização alternativa à narrativa Neo-Liberal. Evitar o ciclo de destruição entre o capital, as pessoas e o planeta. Um ciclo que se não for invertido porá em causa a nossa civilização.

 

 

  
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