Visto de Casa 30/03

Têm falado com as vossas plantas? E elas? Têm falado convosco? Há uns dias recebi numa das plataformas de troca de mensagens em que estou registado, um pequeno, mas interessante texto, supostamente proveniente de uma associação de psiquiatras, que aconselhava quem estivesse, devido ao confinamento, a falar com as suas plantas, a não se preocupar nemcontactar um psiquiatra. Esse contacto só se justificava, segundo a mensagem, se as plantas lhe começassem a responder.

Não sendo esse o objetivo com que trago aqui este episódio, aproveito para relembrar o cuidado que temos que ter com as mensagens que recebemos nas redes sociais. Na que referi antes, por exemplo, que achei interessante e inofensiva ao ponto de a ter replicado para alguns amigos e agora a citar no meu diário, não sabemos se terá sido uma forma bem-humorada e inteligente de comunicação da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental ou de algum coletivo  informal de psiquiatras, ou se foi algum criativo inspirado que usou a referência aos psiquiatras para credibilizar a mensagem que quis fazer passar. Temos que estar atentos e ser seletivos. Todo o cuidado é pouco em separar o que é verdade, o que é falso e o que é humor ou criatividade inofensiva.

Há algumas semanas, ainda o vírus era uma coisa longínqua, ao procurar um livro na FNAC do Évora Plaza (Centro Comercial de Évora) deparei-me comum outro livro em promoção, editado originalmente ainda no século passado e muitas vezes reeditado,intitulado “O Poder do Agora” de Eckhart Tolle.

Tinha lido muitos textos que referiam esse livro e a filosofia de vida que propõe, mas nunca o original.Comprei-o e li-o numa das últimas viagens de longo curso que fiz, entre Bruxelas e Johannesburgo. Depois disso tentei aplicar, sem grande sucesso diga-se,algumas das ferramentas nele propostas para nos adaptarmos sem ansiedade nem stress à velocidade com vivemos hoje o dia a dia e aos obstáculos imprevisíveis com que nos deparamos. 

Este tempo de confinamento é uma boa oportunidade para aperfeiçoar o poder da atenção plena, do olhar com olhos de ver, do sentir a energia que há em nós, que há em tudo e que há também, em consequência,nas nossas plantas.  

Tenho tido mais tempo agora para olhar com atenção para as plantas do meu quintal. Para ver como as flores se ajeitam para realçar a sua beleza e o seu perfume, como as árvores e os arbustos aplaudem as minhas caminhadas e como o limoeiro me questiona todos os dias porque não apanho mais limões, quando vejo que ele está carregado de frutos e prenhe de uma nova fornada.  
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