Alentejo - Contra os Contras

Estava noutro Continente quando a RTP realizou uma edição do seu ancestral programa “Prós e Contras” sobre o Alentejo a partir de Reguengos de Monsaraz. A diferença horária e os compromissos de agenda não me permitiram seguir em direto o debate, mas os ecos que me chegaram não foram favoráveis.

O Alentejo é uma região com problemas, desde logo de erosão demográfica e de falta de massa crítica económica e social para criar em grande parte do seu território um contexto atrativo para a fixação dos seus jovens e para a atração de gente qualificada e de investimento gerador de emprego.
  
O Alentejo é também uma região de grandes oportunidades, citada como referência internacional pelos seus padrões de qualidade de vida, património, identidade e potencial económico, em áreas tão diversas como o turismo, a energia, a agro-pecuária, a logística ou as novas indústrias de fronteira tecnológica.

Não foi a visão mobilizadora de um Alentejo orgulhoso e cheio de potencial que emergiu no debate. Foi antes, o discurso miserabilista de quem ainda acredita nos benefícios de apelar à compaixão alheia o discurso localista dos que ainda não perceberam que todos juntos somos poucos, e que a divisão nos conduzirá à derrota coletiva.

Sobre o miserabilismo, recordo as reações de potenciais investidores que visitando o Alentejo mostram muitas vezes a sua estupefação pela diferença entre o potencial que identificam e os discursos de permanente queixa e desânimo que ouvem de muitos responsáveis. Nos dias de hoje, com a competição cerrada pelo desenvolvimento, ninguém tem pena de ninguém. Se não formos nós a valorizar o nosso Alentejo ninguém fará isso por nós. O miserabilismo pode ser uma desculpa para o fracasso, mas nunca será uma estrada para o sucesso.

Quanto ao localismo, quando tive responsabilidades nas políticas de desenvolvimento da Região procurei pôr em prática estratégias diferenciadas, construídas de forma participada para as quatro sub-regiões (alto Alentejo, Alentejo central, Alentejo litoral e baixo Alentejo). O nível de concretização dessas estratégias não tem sido igual. Há no entanto uma pergunta que se impõe. As sub-regiões do Alentejo que se sentem a perder terreno, ganham mais em tentar travar as outras sub-regiões, ou em exigirem condições para também elas poderem atrais mais oportunidades e investimentos?

Temos todos que trabalhar por um desenvolvimentoequilibrado, justo e inclusivo do nosso Alentejo, corrigindo também as assimetrias internas. No entantohavendo tantos a competir connosco e sendo nós tão poucos, não entendo o que move os que dão rosto ao “contra” na região. Só pela positiva e unidos estaremos à altura do Alentejo que nos orgulha.  





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