Visto de Casa (21/04)

Não deve haver no mundo nenhum tema sobre o qual haja hoje tanto conhecimento atualizado como aquele que existe sobre o COVID19 e os seus efeitos na saúde humana. Os melhores cientistas, as mais conceituadas redes de investigação, os grandes laboratórios públicos e privados e as maiores empresas farmacêuticas, têm todos um acervo de descoberta considerável. No entanto, nenhum deles se aproximou até agora de uma resposta que nos permita seguir em frente com adequados padrões de segurança.

Se somarmos o conhecimento que cada entidade ou agente de conhecimento dispõem neste momento,termos um volume milhares ou milhões de vezes superiores aquele que será necessário para dominar do ponto de vista médico a pandemia. Então porque não dominamos? 

Não conhecemos o alvo e como diz a sabedoria dos tempos só tem bom vento quem sabe para que Porto quer ir. Ainda não sabemos. Estamos rodeados de biliões de peças de um puzzle que ainda não encaixam. Quando encaixarem outro tempo virá.

Partilho hoje esta reflexão convosco porque acredito que por vezes se sintam como eu me sinto, abismados com tanta informação contraditória, com tantos estudos que demonstram uma coisa e o seu contrário.Têm explicação.

Há muita ciência falsa no mercado, mas também há muita ciência verdadeira e que ainda não encaixa. A boa ciência nem sempre chega ao bom resultado. Muitas vezes apenas descarta uma hipótese. Será dessa galáxia de confirmações e negações de possibilidades que nascerá a luz. 

Os estudos, empíricos ou não, também têm que ser olhados com muita atenção. Não basta olhar para a conclusão que promovem, muitas vezes esticada para ser visível. É preciso perceber se a forma de os fazer foi robusta e sobretudo se os ditos estudos não foramapenas uma forma de dar um ar de credibilidade ao que se queria dizer, antes de os realizar

Os dados, petróleo dos novos tempos, torturados dizem aquilo que queremos. Como em tudo da vida há quem os esteja a usar com boas intenções e quem o faça com outros critérios ou objetivos.

  Já vivi o suficiente para perceber que tudo o que existe no mundo está sujeito a uma permanente competição pela sobrevivência. A uma luta mais ou menos consciente pelo poder. 

Precisamos de manter serenidade e distanciamento, não apenas social, mas também mental, para não nos deixarmos encandear por falsos faróis, e para darmos poder a quem trabalha para o nosso bem. Até amanhã, com muita saúde para todos.
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