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Pessoas e Políticas




Em tempo de eleições autárquicas é normal que nos discursos e nos” slogans” surja cada vez mais a referência às pessoas e ao seu bem-estar como fim último da política.



Sei que muitos políticos dizem e praticam estes valores e que muitos dos que agora os proclamam o fazem com consciência e genuína vontade de concretizar as suas promessas. O mundo mudou e a política também tem que mudar. Tem cada vez mais de ser feita para as pessoas e com as pessoas.



Escrito isto e reconhecendo que em todos os partidos e movimentos há casos que se afastam da tendência geral, sinto que os partidos da Coligação de Governo e a CDU tendem nas suas práticas de ação política a servirem-se mais das pessoas do que a servi-las. No PS a tendência é diferente. Penso isso, observo isso e explico porquê.



Para o PSD, o CDS e a CDU as pessoas são números. De formas diferentes mas são números.



Para a CDU que, mais do que resolver os problemas das pessoas, se preocupa em reivindicar soluções ao poder central, as pessoas são potenciais descontentes capazes de dar fôlego às suas votações às suas ações de protesto.



Para o PSD e CDS as pessoas são estatísticas. Os desempregados são um indicador. Os emigrados uma oportunidade. Os reformados são um manancial de pessoas cujo rendimento pode ser reduzido sem que o seu poder de protesto seja elevado. Os funcionários públicos são genericamente uma categoria a abater.



Cada pessoa que perde o seu emprego, cada família que é obrigada a deixar o seu País, cada funcionário que entra na mobilidade, é não apenas um projeto de vida que se destrói, mas um evento com efeito dominó que fragiliza todo o tecido social. Jovens a meio dos seus estudos vêm os Pais dilacerados por não poder financiar o seu sonho e o sonho dos seus filhos. Crianças com fome. Idosos abandonados e sem acesso aos serviços de saúde e proteção social. Uma tragédia, que para a maioria se traduz em dois indicadores positivos.



Redução do deficit estrutural e reequilíbrio progressivo da balança de transações correntes. Indicadores que sendo positivos, quando são atingidos com o desemprego a aumentar e a riqueza a diminuir, significam muita flagelação das pessoas em concreto.



As pessoas são em tempo de eleições o foco de todos os discursos. Mas é preciso separar o trigo do joio. Há quem se proponha servir as pessoas e o faça mesmo e há quem pratique, por vontade própria ou encomenda alheia, exatamente o contrário



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