Visto de Casa (18/04)

Porque hoje é Sábado haverá menos gente em teletrabalho. Antes da crise já haviam muitosprofissionais que exerciam as suas funções em teletrabalho, mas agora esse número aumentou exponencialmenteSempre trabalhei em casa, mas apenas como complemento necessário às funções realizadas fora dela. São duas realidades completamente diferentes.

Por muito boas que sejam as plataformas, e são cada vez melhores, nada substitui o contacto direto, a perceção do momento, a gestão das interações, a marcação das rotinas. O teletrabalho, pelo menos aquele que tenho feito neste último mês, quebra tudo isso. Estamos sempre no trabalho e mesmo que pornecessidade ou opção desliguemos as ligaçõesé no trabalho que continuamos. Adoro o trabalho que faço, mas resisto a deixar-me submergir nele. Não tem sido fácil.

Percebo pelos contactos que faço, que mesmo os inicialmente mais entusiasmados pela possibilidade de trabalharem de pantufas e sem terem que se deslocar, estão a perceber o outro lado da moeda. Acabam por trabalhar mais horas e chegar ao fim do dia mais cansados do que chegavam nos tempos da antiga normalidade.

Na nova normalidade, muitos empregos não voltarão em permanência aos escritórios, mas será preciso encontrar um equilíbrio salutar entre os vários modelos de trabalho, que seja bom para o ambiente, bom para a otimização dos custos, mas também bom para as pessoas e para a dinâmica das comunidades.

Como já aqui escrevi, e este é o dia 33º dia em que escrevo este diário de confinamento, quando a pandemia for controlada e voltarmos à rua, mesmo os que pelas suas profissões nunca dela saíram, encontrarão um mundo novo.

Ontem o Parlamento Europeu aprovou, com uma maioria massiva, uma resolução que define caminhos favoráveis para que esse mundo novo, não sendo um parto fácil para ninguém, nasça com um traço de esperança e uma linha de horizonte marcada por maisjustiça, solidariedade e qualidade de vida.

Além de dar luz verde ao fundo de emergência de 3 mil milhões de Euros e ao reforço do mecanismo de proteção civil europeu para 300 milhões de euros e de flexibilizar a aplicação de todos os fundos disponíveis para um combate coordenado à pandemia, o Parlamento propôs um novo fundo de 50 mil milhões de Euros para esse combate e o aumento do orçamento da UE para poder servir de garantia à criação de um robusto plano de recuperação.

Num sistema de codecisão, em que a aprovaçãodepende do Parlamentomas também do Conselho, este tem agora a bola do seu lado. A esmagadora maioria dos governos representados no Conselho são conservadores (PPE), Socialistas (S&D) e Liberais (Renew). A esmagadora maioria dos deputados destes grupos votaram a favor das decisões do parlamento. 

Em Portugal sei que o alinhamento entre os deputados europeus que votaram a resolução e o governo é forte. Que sejamos também aqui inspiradores. Até amanhã, com muita saúde para todos. 

Comentários
Ver artigos anteriores...