A Bola e o Mundo



Depois de um verão desportivamente muito rico, com Campeonato da Europa de Futebol e Jogos Olímpicos pelo meio, as atenções mediáticas vão começar a virar-se cada vez mais para a bola caseira e para as competições da UEFA.O Futebol, como aliás a generalidade das competições desportivas por equipas são metáforas da vida.

Os menos jovens ainda se devem recordar como as equipas inglesas em geral tinham horror às equipas portuguesas sobretudo quando ainda não eram multinacionais do “Soccer” e o mago José Maria Pedroto inventou um rendilhado que impedia o jogo longo e aéreo dos súbditos de Sua Alteza.
A lógica de Pedroto era simples. Se os ingleses eram altos e fortes fisicamente e os portugueses eram mais franzinos e criativos não poderiam jogar o jogo dos bretões sob pena de serem goleados. Tinham que colocar os Ingleses a correr atrás da bola. E como eles corriam até á exaustão e as mais das vezes até à derrota!
Que tem isto a ver com o mundo e com o declínio da Europa a que estamos a assistir? Tem tudo. A grande vantagem competitiva da União Europeia foi ao longo de décadas a paz, a estabilidade social, a boa qualificação média das populações, a sofisticação do mercado e a robustez da democracia e das instituições.
Impunha-se manter o jogo global nestes padrões, até porque “exportar” paz, sensibilidade social, regras democráticas e gosto pelo conhecimento só nos ficava bem, e em nada era prejudicial aos destinatários.
Mas não foi isso que os mais recentes treinadores europeus escolheram fazer. Encaixaram no jogo do competidor e na táctica desregulada dos mercados em que muitas vezes nem se sabe quem tem a bola, quanto mais como recuperá-la e avançar jogo para a baliza do progresso e do emprego.
A Europa tem que ter um estilo de jogo próprio e aceite pelas regras globais. Se se limitar a jogar segundo regras alheias e desenhadas para só valerem os golos marcados nos indicadores económicos brutos, sem contar com o bem-estar das pessoas, com a justiça social e com a sustentabilidade económica, a União Europeia depressa será eliminada do mapa das competições.
Competições que sem uma Europa forte ficarão piores, menos interessantes e sobretudo menos respeitadoras dos valores humanistas. Abaixo do pescoço vai ser canela, e um dia quem sabe se as cabeças não rolarão também no terreno de luta. Oxalá que não.















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