Cofres Cheios - País Pobre (MLA, PPC e o Tio Patinhas)






 

Já algumas vezes elogiei a determinação de Maria Luis Albuquerque (MLA). A determinação em si é uma característica que se pode ter ou não ter e MLA tem forte determinação e resiliência, como pude verificar no primeiro debate parlamentar com a sua presença, ainda na qualidade de Secretária de Estado.

 

Se tem determinação, o que é positivo, já o que a determina é bem menos favorável. MLA não tem sensibilidade social, demonstrando um chocante alheamento das consequências concretas das medidas que toma na vida das pessoas. Medidas tomadas em conluio com Pedro Passos Coelho e sob a impotência de Portas e a bênção do Presidente da República. 

 

As consequências da política de austeridade do Governo têm sido brutais. Elas são visíveis a olho nu. Todos os dias nos confrontamos com os destroços sociais provocados por essas escolhas.

 

Essa perceção generalizada foi agora confirmada por um estudo independente encomendado pelo Parlamento Europeu sobre o impacto da política de austeridade nos direitos fundamentais em Portugal (pode ser consultado no Site do Parlamento Europeu www.europarl.europa.eu/studies).

 

 Este estudo, que avalia exaustivamente as consequências do modelo de governação aplicado pelo Governo Português, baseado no princípio da austeridade expansiva ou redentora, conclui que todos os direitos fundamentais dos portugueses foram degradados. Os direitos à educação, à saúde, à justiça e à proteção social são agora mais frágeis, menos acessíveis e fragmentados quer pela condição económica dos cidadãos quer pelo local onde vivem.

 

Um Governo que exulta por ter os cofres cheios (em boa verdade por dívidas contraídas que obrigam a um brutal serviço da dívida), convive com uma realidade em que 29% das crianças e jovens estão em risco de exclusão e pobreza. Não são apenas os direitos presentes de cidadania que estão a ser postos em causa. Com este impacto nas condições para a aprendizagem, a inclusão e o crescimento saudável das novas gerações é o futuro das pessoas e de Portugal que está a ser claramente afetado.

 

A avaliação independente do Parlamento Europeu sublinha outros números chocantes. Além do empobrecimento generalizado, um desemprego jovem que ronda os 40% e uma emigração só comparável aos tempos de penúria do Salazarismo, fazem com que no estudo se recomende que a perspetiva social deva ser considerada ao mesmo nível da perspetiva financeira na avaliação das políticas. O mesmo que Jean Claude Juncker defendeu quando o confrontei numa reunião no Parlamento Europeu sobre as consequências da sua corajosa conclusão sobre a quebra de dignidade dos povos que significaram os planos de ajustamento.

 

No caso português um ataque à dignidade aplaudida e assumida pelo Governo. MLA (e o seus colegas de Governo) fazem-me lembrar o Tio Patinhas. Devem divertir-se a mergulhar no cofre enquanto milhões de portugueses mergulham na pobreza.            

 

 
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