O Sentimento Europeu




A Comissão Europeia através da sua Direção Geral de Comunicação realizou mais um estudo aprofundado sobre o sentimento dos europeus em relação à União Europeia (UE), o seu funcionamento e as suas prioridades. O retrato foi divulgado dois anos antes da realização das próximas eleições para o Parlamento Europeu e constitui uma ferramenta essencial para compreender o que pensam os europeus e o que eles esperam de quem os representa e governa nesse plano supranacional.

 

O Estudo baseou-se numa sondagem robusta, composta por 27 901 entrevistas pessoais a cidadãos europeus com mais de 15 anos e respeitando todos os critérios de representatividade (país, género, idade, perfil socio-económico etc...) realizada em simultâneo nos 28 Países da UE entre 18 de março e 27 de Março deste ano.

 

Não é possível neste espaço sintetizar a riqueza e a diversidade dos dados obtidos. Selecionarei apenas alguns para proporcionar aos meus leitores (e a mim mesmo) uma ideia do que é hoje o sentimento europeu e das prioridades que coloca e exige aos que exercem mandatos democráticos em seu nome.

 

Para a maioria dos Europeus a instabilidade no designado mundo muçulmano é a maior ameaça para a União Europeia. Seguem-se o aumento de poder da Russia e da China, a eleição de Trump e a saída do Reino Unido da União (Brexit). Os resultados para Portugal seguem o padrão geral, apenas sendo relevante o menor peso relativo atribuído à potencial ameaça chinesa.

 

Quando a pertença do seu país à UE, 57% dos europeus consideram uma coisa boa, 26% acham que não é boa nem má, 14% são contra e os restantes não sabem. Os números de Portugal seguem a média europeia (54% consideram bom pertencer) com a nota de que havendo uma melhoria generalizada no numero dos consideram bom pertencer à UE, a subida em Portugal foi de 7%, contra 4% na média europeia.  Arrisco considerar que esta subida algo surpreendente da popularidade da UE se fica a dever ao efeito Trump, acrescido no caso português pela forma como o governo tem conseguido mitigar alguns dos impactos menos favoráveis da governação europeia. 

 

Face a estes números, o desafio que a UE tem que enfrentar e vencer para mobilizar os europeus para o seu projeto é enorme. As cinco prioridades dos Europeus são o combate ao terrorismo (80% querem que a UE faça mais do que faz) o combate ao desemprego (78%) a proteção do ambiente (75%) o combate à evasão fiscal (74%) e a integração dos migrantes (73%). Não é preciso inventar. Ou a UE faz mais nestes domínios ou perde a confiança da maioria.

 

Concluo este breve retrato, com um dado muito marcante. Em média, 84% dos europeus consideram as desigualdades uma questão importante a resolver no seu País (87% dos portugueses). Numa UE tão dividida a primeira divisão a combater é a visão entre os incluídos e os excluídos. É esse o sentimento maioritário dos europeus e como tal deve ser democraticamente respeitado

 

   

 

 

 

 
Comentários
Ver artigos anteriores...