Visto de Casa (13/05)

Hoje é 13 de maio. Neste dia, em 1917, segundo os relatos da época, Maria apareceu aos pastorinhos. Respeito todas as interpretações espirituais, canónicas, simbólicas ou históricas das aparições. O facto de ainda hoje se debater com paixão o que terá acontecido atesta que algo aconteceu. Em que plano aconteceu, as sensibilidades e as crenças são diversas. Em 2020, mais de cem anos depois, a pandemia suspendeu a peregrinação. Peregrinar é antes de mais um encontro connosco mesmos. Podemos fazê-lo todos os dias e em todos os caminhos, mesmo os interiores.

Começa esta tarde mais uma sessão plenária do Parlamento Europeu. É a terceira em que participarei à distância.  Já sinto saudades de Estrasburgo e de Bruxelas. Até já sinto saudades de andar de avião, e confesso-vos que muitas vezes nos últimos anos me senti cansado de voar e de andar com a mala às costas. Como diz o povo não há fome que não dê em fartura, e vice-versa. Espero voltar em breve.

A partir de casa mantenho todos os meus direitos de participação ativa nas decisões, exceto o direito de intervir de viva voz nos debates em plenário (a plataforma segura e exclusiva do Parlamento Europeu ainda não o permite). Voto, faço declarações escritas,declarações de voto e emendas, intervenho nas reuniões de comissões e delegações, multiplico-me em reuniões de negociação. Procuro respeitar o mandato que recebi, o melhor que posso e sei.

Esta semana o Parlamento vai dar outro passo em frente para pressionar a Comissão Europeia e os Estados membros a avançarem depressa e bem com o Plano Plurianual de Financiamento e com o Plano de Recuperação e Transformação. Quando for votada e aprovada a resolução subscrita por conservadores, liberais, verdes e socialistas dar-vos-ei conta do mais importante no seu conteúdo. Não será pelo Parlamento Europeu que a União não estará à altura do seu dever e obrigação na resposta à crise. Oxalá esteja.

Ontem, na minha qualidade de Presidente da Delegação do Parlamento Europeu para África, Caraíbas e Pacífico participei numa reunião alargada de monitorização da situação no continente africano. Embora a capacidade de testar seja pequena, a propagação da pandemia sanitária tem sido mais lenta em África do que noutros continentes. 

Muito grave é a asfixia económica resultante da redução da procura das matérias primas e dos produtos locais e da queda abrupta da sua cotação nos mercados internacionais. A esse constrangimento, acresce o aproveitamento político que muitos regimes fazem da crise para reduzir direitos, liberdades e garantias. É uma tentação africana, mas não só.

Os números apresentados na reunião evidenciaram uma correlação não surpreendente. Quanto mais bem colocado está um País africano no índice de democracia e transparência, melhor é também a sua avaliação na resposta ao COVID19. A democracia tem falhas, mas é o regime que falha menos. Até amanhã, com muita cidadania e saúde para todos.          

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