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Marcelo




 

O facto político mais relevante das últimas semanas em Portugal foi a passagem à reforma política de Aníbal Cavaco Silva. Embora sempre tenha mantido uma relação cordata com o Ex- Presidente da Republica (com o Primeiro – Ministro Cavaco Silva não me recordo de alguma vez ter falado pessoalmente), sempre fui frontalmente seu adversário político, discordando da forma e do tom do seu exercício, em particular na fase final da sua magistratura executiva e no seu segundo mandato presidencial.

 

Agora que Aníbal Cavaco Silva saiu de cena não vou repetir críticas que nunca me coibi de fazer em devido tempo. Desejo-lhe as maiores felicidades pessoais. Se falo nele nesta crónica é apenas para realçar o contraste de atitude entre ele e o seu substituto Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Mantive sempre com Marcelo Rebelo de Sousa uma relação cordial. No entanto, não apoiei nem desejei a sua eleição, porque preferia um candidato que emergisse do centro esquerda e não um candidato, que embora pela sua notoriedade e intensidade tenha sido eleito com votos de diversas franjas politicas e sociológicas, assentou a sua eleição na base social de apoio que sustentou o governo de direita de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.

 

Mas agora a reforma deu-se. Uma “reforma” estrutural. Temos um novo Presidente. É preciso aproveitar o virar de página e tirar dela o melhor que ela nos pode dar.

 

Saiu um Presidente cansado, amargo, submisso e que nunca se libertou do espartilho da sua base política de eleição e da teia de interesses a ela associada e entrou um Presidente jovial, cosmopolita, próximo e com potencial para exercer o papel que eu espero de um Presidente da República, que é a partir de agora, se cumprir a sua palavra, o Presidente de todos os portugueses.

 

Além de garante supremo da Constituição, tenho para mim que o maior contributo que se pode esperar de um Presidente da República é que ele seja capaz de mobilizar o País enquanto comunidade de valores e de identidades, aumentar a sua autoestima, promover o “ser português” no mundo, reforçar os laços com os outros povos e deixar respirar a política, o contraditório, o debate ideológico e os mecanismos de escolha e decisão próprios da democracia.   

 

A politiquice é uma doença democrática paralisante que só o exercício nobre da política pode mitigar. Portugal tem agora um Presidente que cresceu na política, que se construiu como candidato na política e que é um político altamente qualificado. Não é um político em negação da sua natureza como foi o seu antecessor, mas um político que se assume como tal com orgulho.

 

Acredito por isso que como referiu no seu discurso de posse seja um bastião de defesa da grande política e um obstáculo à politiquice, aos jogos de interesses, à corrupção ética, moral ou económica e ao nepotismo. Um referencial, como deve ser o mais alto representante da nação.

 

 

 

 

 

 

 

 
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