Visto de Casa (17/04)


Marcelo Rebelo de Sousa terminou ontem a sua declaração ao País sobre a extensão do estado de emergência dizendo que se há um milagre, esse milagre é Portugal. Portugal somos todos nós. O nosso milagre pessoal fará toda a diferença. Mas como em tudo na vida, somos todos milagreiros, mas há uns que são mais milagreiros que outros. 

Continuamos em emergência e em estado de alerta para ela. É como um estado de alerta ativo que interpreto o Estado de Emergência em Portugal, que ao contrário do que está a acontecer noutros países, até na União Europeia com o triste exemplo da Hungria, não confinou a democracia nem o estado de direito.     

O estado de alerta é profundamente exigente, para cada pessoa, para cada família, para cada comunidade e para cada decisor que tem uma responsabilidade acrescida de fazer por si e por quem representa. Decisores que definem as regras e sobretudo decisores que as colocam em prática no dia a dia. 

Muitos heróis têm sido saudados com toda a justiça nos últimos tempos. Os profissionais de saúde desde logo, mas também todos os que nos garantem a segurança, a proteção e o socorro, o abastecimento e a normalidade básica no funcionamento da sociedade. 

É menos popular saudar os decisores políticos, mas eu saúdo. Os que têm que segurar a governação no meio da turbulência. Os que fazem oposição construtiva e fiscalizadora. Os que respondem nas autarquias, resolvendo os problemas e protegendo as pessoas, não se deixando tentar pelo eleitoralismo fácil. 

Também saúdo os decisores empresariais, sindicais, das IPSS e das ONG. Todos os que têm sido parte da solução e não se escondem atrás do problema. Sobreviver neste contexto é difícil. Ser construtores da barca da resistência e da recuperação ainda mais.

Já nos habituámos ao silêncio. Ontem o meu colega Pedro Silva Pereira numa intervenção no plenário virtual do Parlamento Europeu lembrou-me que é sempre com um estranho e leve rumor que os Tsunamis se anunciam. 

Temos que nos preparar para o Tsunami anunciado e imparável que se seguirá ao choque pandémico. Voltaremos a ter uma vida plena, mas diferente. O nosso quotidiano será alagado. Saber nadar em águas revoltas será uma competência básica. 

Os bebés largados na água nadam. Somos todos bebés de novo.Até amanhã a todos, com muita saúde.

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