Visto de Casa 24/03

Nos últimos dias têm sido muitos os pássaros que têm vindo pousar e cantar na pérgula do meu quintal. Porquê agoraSuponho que não será de agoraEu é que andava distraído com a pressão da agenda e dos afazeres e não tinha atenção suficiente para os ver nem para os ouvir. Espero que depois de passar este tempo de confinamento forçado, guardemos todos uma capacidade maior para apreciar a beleza das coisas simples.

Somos um povo solidário nas horas difíceis. Solidariedade com os que nos são próximos, com os que mais precisam, com os que tomam a linha da frente nos combates mais duros. De forma cautelosa, mas rápidaaprendendo com experiências recentes que deixaram traumas, a sociedade portuguesa está a fazer crescer a onda de generosidade para juntos podermos vencer a pandemia.

Direcionar bem essa onda é muito importante. Apoiar os mais idosos respeitando todas as regras e auxiliar os que ficam sem recursos de vida digna e não são abrangidos de forma suficiente pelas medidas públicas é uma forma de envolvimento e de compromisso que honra quem o faz e ajuda a comunidade.

Já refleti neste diário efémero sobre a minha empatia aprisionada. Tem que ser. Todos os dias telefono aos mais idosos da família (categoria para que caminho a passos largos) mas nunca mais estive perto deles. Sei que nem todos os que me leem podem ser tão radicais. É preciso bom senso. Mas estar longe sem deixar de estar perto é o melhor que podemos fazer neste momento pelos que mais amamos.

Outras formas de ajudar estão a ser praticadas. Doar ventiladores e tudo aquilo que os hospitais e os profissionais de saúde e de outras funçõesfundamentais para manter a sociedade viva nos pedem, de acordo com o que nos pedem, é uma forma elevada de altruísmo. As instituições estão a fazer o melhor que podemEm muitos casos não é a questão financeira que se coloca. É o acesso ao mercado.  A competição por instrumentos e produtos é muito dura. Estarmos muitos no “mercado” ajuda a conseguir para todos o que cada um de nós pode precisar.   

Mas mesmo em situação de emergência e grande risco não vale tudo. Os especuladores têm que ser denunciados e fortemente penalizados. O egoísmo deve ser contido. Uma máquina a mais num sítio pode ser um morto a mais noutro. Somos todos pessoas. 

Em Portugal estamos a caminho do pico. Quanto mais depressa o ultrapassarmos mais depressa regressaremos aos dias comuns, espero que com mais capacidade de ver neles os pássaros que não víamosantes. Até amanhã. Com muita saúde para todos.
Comentários
Ver artigos anteriores...