Medir o Bem Estar

       



Se nos situarmos no início do século em que vivemos e analisarmos as previsões que então se desenharam para os anos seguintes, percebemos como é difícil antecipar o futuro num mundo cada vez mais globalizado e complexo.



 A evolução tecnológica seguiu uma linha consistente, mas a sua tradução no desenvolvimento, na criação de emprego, na redução da pobreza e no bem-estar das pessoas ficou muito aquém das expectativas. Perdeu também fulgor a ideia de que a um certo declínio do ocidente corresponderia um extraordinário fulgor dos países emergentes.



 Estudos recentes, com o valor relativo que todos os estudos prospetivos já demonstraram ter, atrevem-se a falar do século XXI como o século da estagnação e do crescimento zero. As estatísticas são o que são. O crescimento zero convive bem com uma elite cada vez mais rica e uma enorme massa de seres humanos cada vez mais pobres. Mas essa situação é indigna e insustentável.



Precisamos de mudar a perspetiva. A competição global pela criação de Produto Interno Bruto (PIB) não parece abrir grandes horizontes. Todos os Países querem criar riqueza exportando e cada vez menos têm a capacidade de absorver essas exportações.  A competição torna-se feroz e as pessoas, quando não podem ser substituídas por máquinas, são exploradas de forma atroz. Os recursos são também depauperados. O medo toma conta da vida quotidiana. Urge retomar a esperança, mas como?



Há largos anos que a OCDE (Organização para o Comércio e o Desenvolvimento Económico) vem trabalhar na ideia de substituir o PIB por um indicador de bem-estar. Talvez não seja fácil criar indefinidamente mais riqueza, mas se distribuirmos e gerirmos melhor a riqueza que criamos e a forma como a criamos, poderemos viver todos melhor.    



Numa estimulante apresentação feita no Parlamento Europeu, Enrico Giovannini, Professor da Universidade de Roma, ex-Diretor chefe do serviço de Estatísticas da OCDE e ex - Ministro do Trabalho e Políticas Sociais do Governo Italiano, propôs à UE que fosse pioneira em duas decisões políticas.



A primeira decisão seria criar uma comissão alargada para desenhar uma política de desenvolvimento sustentável para a UE em troca da atual política de austeridade e asfixia económica e social. A segunda é tornar a UE pioneira no desenvolvimento e aplicação de um indicador sustentável e equitativo de bem-estar para substituir o Produto Interno Bruto.



Tive oportunidade de participar num grupo de trabalho liderado por Giovannini quando este estava na OCDE. Sei bem como estas propostas são mais fáceis de formular do que de concretizar. Mas as perspetivas de futuro tal como as podemos ver hoje, convidam-nos a ser ambiciosos e capazes de fazer roturas se necessário.



Medir o bem-estar, para promover a qualidade de vida em vez da competição desenfreada é uma ideia que vale a pena reter e tentar viabilizar.












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