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Ligar Gaspar à Ficha



 

A siderurgia nacional ameaça deslocalizar-se para Espanha porque já não suporta os custos da energia em Portugal. No meu dia-a-dia encontro muitos pequenos empresários que me dizem que os seus negócios se tornaram insolventes porque para além da subida brutal dos impostos e da descida da procura interna, a fatura energética quase duplicou. Os empresários de sucesso, mesmo mantendo com espírito patriota o centro da sua atividade em Portugal são cada vez mais levados pelo choque eléctrico e pela explosão dos preços dos combustíveis a produzir o mais possível fora do País. Com estas dinâmicas perdem-se receitas, exportações e sobretudo empregos.

 

Fui Secretário de Estado da Energia e da Inovação entre 2009 e 2011 e tenho muito orgulho no trabalho que pude desenvolver. Por ter tido essa tarefa tenho evitado regressar a este tema na minha ação política quotidiana.

 

Acresce que considero o atual Secretário de Estado da Energia uma personalidade idónea e competente que se melhor não faz é porque para isso não tem o peso político necessário. Mas a situação no terreno atingiu uma gravidade que não me permite continuar calado, sobretudo no momento em que se anunciam novas taxas e empolgamentos nos preços.

 

O deficit tarifário (O que os consumidores devem aos incumbentes) que era de 1800 milhões de Euros em 2011 já ultrapassou os 4100 milhões de Euros. O apoio às energias renováveis e aos novos modelos de consumo como a mobilidade elétrica foram vítimas dum curto-circuito político. A travagem da atividade económica fez disparar os custos unitários de infra-estrutura. A fiscalidade directa sobre a eletricidade subiu 17% prejudicando sobretudo os serviços de entrega final incapazes de incorporar competitivamente nos preços a nova sobrecarga. As taxas para os Municípios, que em certa medida se justificavam ser pagas pelos contribuintes pelo fato de terem uma fiscalidade mínima mantiveram-se com a transição para a fiscalidade máxima. Aos 23% de IVA somam-se assim os 10% para os Municípios e outros custos de interesse geral, dos quais só os que têm impacto directo na produção endógena de energia têm verdadeiro retorno e justificação.   

 

O nosso equipamento de produção de energia mais limpa, de que as centrais de ciclo combinado são um bom exemplo, está subaproveitado a menos de um quinto da sua capacidade. O Plano Nacional de Barragens hibernou. Portugal voltou à era do carvão no seu sistema energético! Uma era do carvão que em muitos Países significa uma energia suja mas barata, mas que aqui é suja e ao preço do ouro!

 

Santos Pereira não tem poder. Gaspar só quer cobrar, custe a quem custar e destrua-se o que se destruir. É por isso tempo de ligar Gaspar à ficha para que ele possa sentir como dói o choque do preço da energia. Se o não fizermos a nossa economia pode finar-se de vez. E não convém!

 
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