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Matrix (O homem e a máquina)




 

Já atingiu a idade da adolescência a famosa trilogia cinematográfica que tinha como enredo central a luta entre o Homem e a Máquina, assumindo esta o poder de estar conectada em rede e de ter adquirido a capacidade de “aprender” usando os algoritmos da inteligência artificial. Como acabará a “luta” entre máquinas cada vez mais em conexão e seres humanos cada vez mais sós na sua relação entre si e ligados também eles às máquinas da informação e das redes sociais? Esta é uma questão chave da modernidade.

 

A recente vitória de uma máquina (AlphaGO) sobre Lee Sedol, um Sul Coreano reconhecido como o melhor jogador de “Go” do mundo (um jogo de lógica combinatória) por 3-1 é um sinal de grande importância. As máquinas podem aprender. Aprendem connosco, mas aprendem o melhor e o pior que há em nós. O AlphaGo aprendeu o suficiente para vencer 3 vezes consecutivas Seedol, mas à quarta partida este percebeu a lógica da máquina e deu um salto em frente, vencendo-a.

 

Passemos esta história para o quotidiano. O desenvolvimento das capacidades de captura, armazenamento e interpretação com recursos a algoritmos dinâmicos de inteligência artificial de quantidades cada vez maiores de dados está a evoluir de uma forma geométrica.

Essa evolução quebra barreiras legais e territoriais e abre portas a novos modelos de funcionamento da economia, que serão bons ou maus em função da matriz ética que a eles presidir. Esta matriz ética é função da política, na sua asserção nobre de representação do bem comum e do interesse público.

 

A expressão brutal do poder das máquinas aplicada a novos modelos de negócio coincide com um momento de grande descrédito em relação à função reguladora da política. Esta dicotomia é muito preocupante. A credibilidade dos políticos não populistas e capazes por isso de não responder à emoção das massas, mas à razão do interesse comum num determinado quadro ideológico, está de rastos.

 

 Em muitos casos a razão da perda de credibilidade dos políticos prende-se com comportamentos corruptos e de abuso de poder em relação aos quais nenhum relativismo faz sentido. São deploráveis e absolutamente condenáveis.

 

Noutros casos contudo, a erosão da credibilidade política tem outros fundamentos. Exige-se num mundo em mudança permanente, que os políticos assumam compromissos sem terem a possibilidade de controlar o contexto em que vão ter que os cumprir. Se Lee Sedol continuasse a jogar sempre da mesma forma continuaria sempre a perder com AlphaGO. A aposta de Lee Sedol não foi ganhar ao computador seguindo a mesma estratégia, mas alterar a estratégia o necessário para atingir o objetivo maior de vencer a máquina.

 

Neste contexto, considero que faz cada vez menos sentido os Partidos Políticos concorrerem com programas detalhados de ação. O contexto da ação vai mudar e manter o programa não fará sentido. O que faz sentido é concorrer em nome duma matriz de princípios e validar a sua aplicação em permanente interação com os eleitores.

 

Só assim a humanidade poderá ganhar o jogo. Não o jogo de “Go”, mas o jogo contra os que usam as pessoas e o planeta para exacerbar o seu poder discricionário, destruindo o sonho legítimo de um mundo melhor para todos.

 

 
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