Tempo de Política

A grande diferença entre os desafios que hoje se colocam à nossa sociedade e os que se colocaram nas últimas décadas, é que para os actuais, pela sua textura e complexidade, não dispomos de um repositório de respostas técnicas prontas a usar e com manual de instruções.

O mundo mudou. As respostas já não podem ser baseadas em projecções do que foi feito no passado. Precisamos hoje de novos conceitos de acção baseados em valores éticos e princípios ideológicos. Precisamos de política.

Contrariando a ilusão em que vivemos nas últimas décadas, a nova economia baseada no conhecimento em rede só agora está a dar os primeiros passos. O que tivemos nos últimos anos foi uma sobreposição da velha economia industrial com a economia nominal. Uma sobreposição que degenerou, porque a economia nominal robustecida pelas tecnologias de informação e comunicação e fragilizada nos valores e na regulação, se deixou contaminar pela especulação financeira e acabou por asfixiar a designada economia real, industrial ou não.

Diagnosticados os factos importa olhar o futuro. Em minha opinião, a actual situação de crise pode dar origem a dois movimentos diversos. Ou a economia real e a economia nominal divergem fortemente e enfrentaremos tempos de caos, conflito e forte quebra de confiança, ou convergem e passaremos então para uma nova plataforma económica, mais consistente, em que a economia emergente, absorvendo o potencial das redes de conhecimento, se torna mais potente e sustentável.

Convergência ou divergência não serão fruto do acaso. Resultarão da acção política mais ou menos participada e dos valores que dela resultarem. É por isso que este é um tempo de política. Quem quiser ser actor da mudança não pode ficar fora dela.
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