Visto de Casa (20/04)

Recebo diariamente recortes da principal imprensa nacional e internacional, assino vários jornais na sua versão digital, mas continuo a gostar de ler em papel, de sentir a sua textura e usufruir da sensação de os folhear.

 Quando posso, passo pela papelaria do meu bairro para comprar jornais e revistas. Verifiquei que as pilhas maiores continuam a ser dos três jornais desportivos diários, que se vão aguentando com dificuldade na tempestade, mas se continuam a publicar.     

Temos três jornais diários sobre uma atividade que está na sua esmagadora maioria suspensa. Perguntei se se vendiam? Soube que sim. Menos que dantes, mas ainda eram os jornais mais vendidos. Compreendo o motivo. É uma forma de muita gente manter um pé na normalidade que anseia que regresse.

Sou emocionalmente sectário no que ao desporto e em particular ao futebol diz respeito. Normalmente só compro jornais desportivos em papel quando o Sporting ganha. Ultimamente já comprava poucos, porque o Sporting me dava cada vez menos oportunidades para isso, e agora não tenho compradopelos óbvios motivosO meu banho de normalidadepossível é-me oferecido pelo Diário do Sul que todas as manhãs quando acordo já está na minha caixa de correio. E lá que volto, quando quero sentir os pés bem enraizados neste vertiginoso slalom entre o passado e o futuro em que estamos a viver.  

Mas porque estamos a falar em comunicação gostaria de refletir hoje convosco sobre o xadrez complexo que é comunicar medidas no contexto de uma União Europeia que é assumidamente diversa na sua cultura, na sua mundividência e na sua estrutura económica e social.

A União não pode falhar na prova prática de que continua a ser uma parceria de paz, liberdade, cooperação e desenvolvimento, quando confrontada com os desafios e as ameaças incertas da pandemia. 

Como resulta do que tenho partilhado convosco, depois de um momento inicial em que os egoísmos nacionais se sobrepuseram ao interesse efetivo dos povos da União e do mundo, têm vindo a ser dados passos seguros no sentido adequado, coordenando as respostas, partilhando o risco e preparando um mecanismo solidário para financiar a recuperaçãoeconómica e social.

Para que tudo isto se concretize, num contexto democrático, tem que merecer a aprovação maioritária dos múltiplos eleitorados. Uns exigem profusão e outros contenção. Qualquer compromisso será sempre comunicado por todos os governos como a vitória possível, mas os argumentos não serão os mesmos, porque os as expectativas e as perceções dos destinatários também não são os mesmos.

Recomendo-vos por isso a estarem mais atentos aos conteúdos das decisões do que às designações com que são apresentadas. A comunicação tem que agradar a gregos e a troianos. As soluções partilhadas são para todos os cidadãos europeus independentemente da sua “cidade” de referência. 

São as soluções que interessam e estamos no bom caminho para as concretizar. Até amanhã, com muita saúde para todos.       

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