"Glamour" do Pessimismo

A comemoração dos 25 anos da Adesão de Portugal e de Espanha à União Europeia foi marcada por algumas trocas de opinião sobre níveis de liderança, protagonizadas por Durão Barroso e Mário Soares.

No meio do debate, alguma imprensa nacional reportou uma ideia atribuída a fontes da Comissão Europeia, dizendo que há um certo “Glamour” do pessimismo na forma como alguns Intelectuais Europeus olham e avaliam a actual situação da Europa.

Não sei se a expressão referida é a que mais se adequa ao olhar dos intelectuais europeus sobre a Europa. Não sou intelectual no sentido em que as ditas fontes os categorizam, não estou optimista sobre a actual situação europeia, não acho a situação absolutamente nada excitante nem atractiva e estou determinado a lutar para mudar as perspectivas e torná-las menos sombrias.

A expressão ficou no entanto a trabalhar no meu subconsciente e pouco a pouco fui tomando consciência que ela se adequa como uma luva à forma como os fazedores de opinião dominantes olham para a situação portuguesa! “Decidi” por isso pedi-la emprestada às ditas fontes para olhar nesta crónica sobre a realidade nacional.

Todas as sociedades procuram as suas formas de “Glamour”, conceito complexo que reflecte excitação e atracção. Uma excitação volátil e difusa, muitas vezes baseada em factos ou contextos ilusórios ou construídos no território das percepções.

Aquilo que excita, atrai e mobiliza uma sociedade ou uma comunidade diz muito sobre a sua vitalidade e sobre a estrutura predominante da cultura das suas elites. É por isso que o “Glamour” do pessimismo que tomou conta da sociedade portuguesa merece reflexão.

Tornou-se moda discorrer sobre a “desastrosa” situação da nossa economia sem complementar o diagnóstico com qualquer contributo útil para a ultrapassar. Propor e resolver parece gerar um certo enfado ou desconforto nas pitonisas da desgraça, que se especializaram em acusar e qualificar como estando em “negação” todos os que não seguem a sua cartilha.

Neste contexto há uma pergunta que se impõe. Quem está verdadeiramente em estado de negação? Quem assume as dificuldades e luta denodadamente para as ultrapassar ou quem se barrica nelas para nada fazer?

Sei que a situação económica mundial e europeia cruzada com as nossas dificuldades específicas coloca um enorme desafio ao nosso País. Não proponho nenhum “Glamour” do optimismo para substituir o “Glamour” do pessimismo que já faz mais ruído que uma orquestra de Vuvuzelas!

Proponho sim um código de acção para evoluirmos rapidamente dos diagnósticos enfastiados para o esforço colectivo e transformador. É disso que precisamos e é isso que temos obrigação de fazer pelo nosso País.
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