Razão Global (A Globalização e o Brexit)




Muito tem sido escrito sobre o referendo no Reino Unido que visou decidir a sua permanência na União Europeia.

 

 Muito se escreveu antes, muito se escreveu depois e muito se vai continuar a escrever, porque o tema é de enorme complexidade e nele convergem todos os temas chave sobre o futuro da Europa e do mundo. 

 

Olhando com algum detalhe para a segmentação do voto, percebemos que a escolha de sair da União Europeia foi tomada pelos mais pobres, pelos mais velhos e pelos menos qualificados. Em contrapartida os mais inseridos profissionalmente, os mais jovens e os melhores posicionados em termos de rendimentos votaram maioritariamente por ficar na União.

 

Estes factos levam-me a considerar, reconhecendo tratar-se de uma simplificação, que além de tudo o mais, foi a globalização desregulada que foi julgada no Reino Unido e foi ela a causa e a justificação final do resultado verificado, com a agravante de, em minha opinião, a resposta dos deserdados dessa globalização, ter sido contrária aos interesses que queriam defender.

 

A globalização criou, sobretudo na Europa, um mundo fragmentado entre cidadãos que sobrevivem e prosperam nesse mundo global, trabalhando em setores e negócios sem fronteiras, dispondo de competências linguísticas e digitais que lhe permitem criar valor onde surgem as oportunidades, e cidadãos que tendo competências tradicionais e desajustadas, se vêm sujeitos à pressão da concorrência direta por migrantes mais bem qualificados ou menos onerosos para quem contrata e pela deslocalização de muitos serviços e indústrias para zonas emergentes do planeta, onde as condições sociais e ambientais são menos respeitadas.

 

Esta situação é profundamente injusta e frustrante, quer para os excluídos da globalização desregulada, quer pelos que são explorados por ela. O desafio, como já aqui escrevi muitas vezes, é tentar regular a globalização, torná-la mais focada nas pessoas e na sustentabilidade do planeta, aplicar os Acordos de Paris e dar corpo à visão inspiradora do Papa Francisco e de outros líderes políticos e religiosos que pugnam por uma sociedade aos serviço do Homem e não ao serviço dos interesses egoístas e da especulação financeira global.

 

Muitos dos que votaram pela saída do Reino Unido da UE votaram contra a globalização sem rosto humano e sem regras justas. Respeito o seu voto, mas erraram o alvo. É que se há esperança em mudar essas regras, ela parte em larga medida da visão mais humanista e sustentável do projeto europeu, quando comparado com a realidade de outros espaços e modelos económicos.       

 

Enfraquecer o projeto europeu é dar um passo atrás na regulação da globalização. Um passo atrás naquilo em que muitos no Reino Unido e na União Europeia desejam dar um passo em frente. É dentro da UE que temos que lutar por um mundo melhor. Não é por acaso que os interesses mais obscuros do mundo mostram tanto empenho em minar o projeto europeu.

 

A razão global tem que ser explicada de forma simples aos povos europeus e aos povos do mundo. Para que possam fazer escolhas livres e conscientes. Para que não decidam contra si, quando desejam profundamente decidir a seu favor.
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